Inflação de agosto fica negativa em 0,09%, primeira deflação no mês desde 1998

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HELVAL SAO PAULO/SP 09/05/2018 - PRODUTOS PERTO DO VENCIMENTO ESPECIAL DOMINICAL ECONOMIA - Supermercado Vovó Zuzu, no Parque Dom Pedro II, no centro da cidade, que trabalha só com produtos próximos do prazo de vencimento. FOTO: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, acumula alta de 4,19% nos últimos 12 meses; principais impactos foram de Transportes e Alimentação
Especial

RIO – Após alta de 0,33% no mês de julho, a taxa de inflação oficial da economia brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,09% no mês de agosto. Essa foi a menor taxa para um mês de agosto e a primeira deflação desde 1998, quando o IPCA registrou -0,51%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 6, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os principais impactos no resultado da inflação do mês passado foram os grupos Alimentação e Bebidas, com queda de 0,34%, e Transportes, que reucou 1,22%.

A deflação foi maior que o piso do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam desde queda de 0,06% a alta de 0,10% para o indicador.

A inflação acumulada em 12 meses soma 4,19%, que é inferior ao centro da meta estipulado pelo governo para 2018, de 4,50%. Até julho, o acumulado nessa base de comparação era de 4,48%. De janeiro a agosto, o IPCA apresenta alta de 2,85%.

Inflação

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RIO – Após alta de 0,33% no mês de julho, a taxa de inflação oficial da economia brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,09% no mês de agosto. Essa foi a menor taxa para um mês de agosto e a primeira deflação desde 1998, quando o IPCA registrou -0,51%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 6, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os principais impactos no resultado da inflação do mês passado foram os grupos Alimentação e Bebidas, com queda de 0,34%, e Transportes, que reucou 1,22%.

A deflação foi maior que o piso do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam desde queda de 0,06% a alta de 0,10% para o indicador.

A inflação acumulada em 12 meses soma 4,19%, que é inferior ao centro da meta estipulado pelo governo para 2018, de 4,50%. Até julho, o acumulado nessa base de comparação era de 4,48%. De janeiro a agosto, o IPCA apresenta alta de 2,85%.

O resultado foi beneficiado pela normalização dos preços dos alimentos após a greve dos caminhoneiros, em maio, que pesou sobre a oferta de uma ampla gama de produtos e distorceu preços nos meses de junho e julho.

Economistas afirmam também que o aumento de 15,84% na tarifa de energia elétrica na capital paulista em julho contribuiu para o resultado da inflação em agosto, já que no mês passado a composição do índice não contou com essa variação.

A queda no IPCA em agosto não é usual para o mês dentro da série histórica do indicador, observou Fernando Gonçalves, gerente na Coordenação de Índices de Preços do IBGE. “Agosto não é mês de deflação. A deflação parece pontual. Teve a queda em passagens aéreas. Mas pode ser também um realinhamento de preços, por conta da paralisação (dos caminhoneiros). Alimentos contribuíram (para a queda no IPCA)”, avaliou Gonçalves, lembrando também da queda nos combustíveis.

“Alguns alimentos estão com oferta boa, outros estão com demanda insuficiente para sustentar os preços”, justificou o gerente do IBGE. “Se a carne está um pouco mais cara, (o consumidor) vai trocar pelo frango ou um peixe, o que estiver mais barato e puder substituir a proteína”, completou.

Segundo ele, o endividamento das famílias ainda elevado, o alto nível de desemprego e o aumento no número de desalentados deixam os consumidores receosos para saírem às compras. “Então as famílias têm receio de comprometer sua renda, vai segurar para ver como vai ficar o momento daqui para frente”, explicou.

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Resultado foi beneficiado pela continuidade da normalização de preços dos alimentos e a dissipação do aumento na conta de luz em SP Foto: Hélvio Romero/Estadão

O grupo Alimentação e Bebidas, que responde por 25% das despesas das famílias, passou de uma contribuição de -0,03 ponto porcentual sobre o IPCA de julho para um impacto de -0,08 ponto porcentual para a inflação de agosto. Os preços dos alimentos para consumo no domicílio caíram 0,72% em agosto, após já terem recuado 0,59% em julho.

Diversos itens importantes na cesta de consumo das famílias ficaram mais baratos, entre eles a cebola (-22,19%), batata-inglesa (-11,89%) e tomate (-4,84%). Por outro lado, as famílias pagaram mais por arroz (2,51%), macarrão (2,47%), queijo (1,30%), refrigerante (0,96%) e frutas (0,60%).

A alimentação fora de casa desacelerou o ritmo de alta, passando de aumento de 0,72% em julho para 0,32% em agosto, com destaque para o lanche fora de casa (de 1,40% em julho para 0,77% em agosto) e a refeição fora de casa (de 0,39% em julho para 0,23% em agosto).

“Tivemos um resultado muito forte após a paralisação (dos caminhoeniros), mas o dado já indicava uma normalização no IPCA-15 de agosto e até mesmo no fechamento de julho. A tendência é que continue a ter uma normalização dos preços dos alimentos, principalmente no segmento de Leite e Derivados, que aumentou muito na greve”, comentou Giulia Coelho, da 4E Consultoria, antes da divulgação dos resultados.

Desaceleração nos transportes
Os transportes deram trégua ao orçamento das famílias em agosto. Os preços recuaram 1,22%, após o avanço de 0,49% em julho, segundo o IPCA. O grupo deu a maior contribuição negativa para o IPCA do mês, -0,23 ponto porcentual.

As passagens aéreas saíram de uma alta de 44,51% em julho para uma queda de 26,12% em agosto, o item de maior impacto negativo sobre a inflação do último mês, o equivalente a uma contribuição de -0,11 ponto porcentual.

Os combustíveis ficaram 1,86% mais baratos, com destaque para as quedas do etanol (-4,69%) e da gasolina (-1,45%). O ônibus urbano teve aumento de 0,04%, devido ao reajuste de 14,28% na tarifa de Rio Branco (7,24%), em vigor desde 14 de julho.

Os serviços registraram deflação de 0,15% em agosto, puxada pela redução de 26,12% nas tarifas aéreas, mas também pela demanda fraca, avaliou Gonçalves, do IBGE. O resultado foi o mais baixo da série histórica da inflação de serviços, iniciada em 2012, dentro do IPCA. O acumulado em 12 meses diminuiu de 3,50% em julho para 3,33% em agosto.

A inflação de bens e serviços monitorados pelo governo subiu 0,12%, a mais baixa desde junho de 2017, quando houve deflação de 0,83%. O movimento foi puxado pelo aumento menor na energia elétrica e por uma queda nos preços dos combustíveis. A inflação de monitorados acumulada em 12 meses é de 9,59% em agosto.

Três itens monitorados estão entre as maiores pressões para a taxa do IPCA em 12 meses. A gasolina lidera o ranking, com alta de 18,01% e impacto de 0,72 ponto porcentual na taxa de inflação de 4,19% no período. Em seguida estão os itens energia elétrica (alta de 16,85% e contribuição de 0,61 ponto porcentual) e plano de saúde (aumento de 12,38% e impacto de 0,47 ponto porcentual).