G-20 fracassa e não chega a acordo sobre livre comércio

Ministros das Finanças e chefes de bancos centrais romperam com uma tradição de uma década de rejeitar o protecionismo e endossar o livre comércio

706
ctv-pat-g20-kai-pfaffenbach--reuters

Líderes das maiores economias do mundo em foto oficial da cerimônia

BADEN BADEN – Os líderes financeiros do mundo fracassaram em chegar a um acordo para apoiar o livre comércio neste sábado, recuando de compromissos passados de manter o comércio aberto e rejeitar o protecionismo, mostrou o comunicado dos ministros das Finanças e chefes de bancos centrais do G-20.

Com uma referência apenas simbólica à necessidade de fortalecer a contribuição do comércio para a economia, os ministros das Finanças e chefes de bancos centrais das 20 maiores economias do mundo romperam com uma tradição de uma década de rejeitar o protecionismo e endossar o livre comércio.

Numa demonstração de que está disposto a se tornar um país comercialmente mais aberto, o Brasil, líder do bloco comercial da América do Sul (Mercosul) quer aproveitar a saída do Reino Unido da União Europeia (o chamado Brexit) para ampliar os negócios com a Inglaterra e seus vizinhos. “Estamos trabalhando uma aceleração das discussões do Mercosul com o Reino Unido. É um início”, afirmou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, lembrando que qualquer tratativa mais prática só poderá ser vista daqui a dois anos, quando todo o processo estiver concluído. Além disso, o Brasil também está em negociação com a UE.

No mais recente confronto entre o novo governo dos Estados Unidos e a comunidade internacional, os chefes financeiros do G-20 também voltaram atrás da promessa de apoiar o financiamento ao combate às mudanças climáticas, o que era esperado, depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, classificar a mudança climática como um “boato”.

Em conversas nos bastidores da reunião do G-20, delegados disseram que os EUA estavam barrando algumas questões centrais, sem disposição para fazer concessões e essencialmente inviabilizando um acordo, que requer a assinatura de todos.

Trump já retirou os Estados Unidos de um grande acordo comercial e propôs um novo imposto às importações, argumentando que algumas relações comerciais precisam ser reexaminadas para serem mais justas com os trabalhadores norte-americanos.

“O Brasil não tem preocupação especial com os EUA. Estamos procurando o que é melhor para o Brasil. Tanto que estamos falando com a União Europeia, estamos em discussão com o Reino Unido, estamos avançando naquilo que julgamos ser o interesse do Brasil”, declarou Meirelles. Ele disse também que o País pode tomar no futuro medidas para ampliar o fluxo do comércio exterior, mas logo afirmou que não adiantaria o tema porque ainda não há pontos definidos.

Os líderes financeiros do G-20, no entanto, reafirmaram o compromisso de evitar a desvalorização cambial competitiva, um acordo-chave, já que os EUA têm se queixado repetidamente que alguns de seus parceiros comerciais estão usando moedas artificialmente desvalorizadas para obter uma vantagem comercial./COM INFORMAÇÕES REUTERS

Créditos: O Estado de S.Paulo – Caderno de Economia & Negócios