Estudo mostra estagnação na redução da desigualdade no Brasil entre 2011 e 2014

A partir de informações da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios, foram avaliados dados sobre longevidade, educação e renda

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Foto: CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO

Estudo mostra estagnação na redução da desigualdade no Brasil entre 2011 e 2014

Brasil apresenta um mix de classificações de indicadores de desenvolvimento humano

BRASÍLIA – O Brasil perdeu a batalha para redução da desigualdade nos primeiros quatro anos desta década. Estudo feito pelo Programa da Organizações Nações Unidas para Desenvolvimento em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro mostra que a distância entre grupos mais ricos e mais pobres da população seguiu inalterada  entre 2011 e 2014 e com diferença considerada pouco expressiva com relação a 2000.

As diferenças  ficam evidentes ainda quando se analisam os dados de cada Estado. Em Santa Catarina, por exemplo, a esperança de vida ao nascer é de 78,4 anos –  14 a mais do que a esperança de nascidos no Maranhão. As oportunidades de renda também destoam de acordo com a localização. A renda per capita no Distrito Federal, de R$ 1.606,  é quatro vezes maior do que a apresentada em Alagoas, R$ 414.

Com diferenças tão significativas, o Brasil apresenta um mix de classificações de indicadores de desenvolvimento humano. No quesito educação, por exemplo, são encontrados Estados com todas as classificações de IDH. Pará e Sergipe são considerados de baixo desenvolvimento humano. Outros 16 são considerados como de médio desenvolvimento, oito estão classificados como de alto desenvolvimento e São Paulo, considerado como de desenvolvimento humano muito alto.

O estudo lançado hoje é batizado de Radar IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano de Município). Os resultados são obtidos com base em análise das informações da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD) e têm como objetivo “atualizar” um outro indicador, o IDHM que, por sua vez, é feito com base em dados do Censo, coletados a cada 10 anos.

Tanto Radar IDHM como o IDHM são compostos por três  indicadores de desenvolvimento humano: longevidade, educação e renda. O índice varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano. São quatro classificações: baixo, médio, alto e muito alto.

Os dados do Radar IDHM mostram que, apesar da crise, os indicadores de desenvolvimento humano no Brasil melhoraram ao longo de 2011 e 2014. No período, afirmam os autores, a expectativa de vida melhorou, os anos de estudo aumentaram e até mesmo a renda se elevou. O relatório atribui o avanço no início da década  à natureza dos dados. Os indicadores avaliados teriam sensibilidade diferente ao desempenho da economia. Os efeitos da crise também seriam amortizados em parte pela rede de proteção social existente no País.

O IDHM apresentou um crescimento anual de 1% entre 2011 e 2014. O ritmo foi inferior ao crescimento apresentado na década 2000-2010, quando a média de crescimento do IDHM foi de 1,7% ao ano.

A longevidade e a educação cresceram no período, mas também num ritmo menor do que o identificado entre 2000 e 2010. As taxas de mortalidade infantil caíram, mas num ritmo menor do que na década anterior. Com dados de educação, tanto escolaridade quanto frequência escolar cresceram em taxas médias anuais muito menores do que as observadas entre 2000 e 2010. O documento chama a atenção, por exemplo, para a estagnação no porcentual de pessoas com 18 anos ou mais que apresentem ensino fundamental completo. Em 2011, representavam 60,1% do total. Em 2014, eram 61,8%. Curiosamente, a renda apresentou nos primeiros quatro anos desta década um avanço mais rápido do que entre 2000 e 2010.

Créditos: O Estado de S.Paulo – Caderno de Economia & Negócios